Júri de Barra do Garças que teve discussão entre advogada e promotora é anulado e remarcado para o dia 4/9: ‘Vocês seguem o código da bandidagem’

31/08/2025

Júri de Barra do Garças que teve discussão entre advogada e promotora é anulado e remarcado para o dia 4/9: ‘Vocês seguem o código da bandidagem’
29/08/2025 17h36 - Atualizado há 2 dias
Júri de Barra do Garças que teve discussão entre advogada e promotora é anulado e remarcado para o dia 4/9:

Um bate-boca entre uma advogada e promotora durante Júri em Barra do Garças no dia 30.10.24 resultou posteriormente na anulação do julgamento de um acusado de homicídio em 2021. A discussão acalorada foi registrada em vídeos e repercutiu nacionalmente entre a promotora de Justiça Clarissa Cubis de Lima Canan e os advogados Jefferson Adriano Ribeiro Junior e Letícia David Moura. No momento mais tenso da briga, a representante do Ministério Público disse que os advogados seguem “o código da bandidagem”.

A defesa entrou com recurso e como não constava justamente a parte da discussão nas gravações do processo, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu por anular a sentença de 30 anos para acusado e remarcado um novo julgamento para o dia 4 de setembro. 

O julgamento anulado se referia a um dos envolvidos na morte de Jeferson Custódio dos Santos, 32 anos, ocorreu no dia 20 de abril de 2021 em Pontal do Araguaia-MT. No Juri ele pegou 30 anos de condenação, mas com anulação, terá um novo júri. Houve também o pedido de suspeição e a promotora Clarissa Cubis não poderá atuar no novo julgamento marcado para o dia 4 de setembro. 

A discussão foi registrada em vídeo e as imagens chegaram ao conhecimento da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Os profissionais ofendidos pela promotora são de Goiânia (GO). A seccional de Goiás, por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas (CDP), protocolou reclamação disciplinar contra a promotora no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). 

A senhora nunca nem me viu na vida e falar uma coisa dessa: código de bandidagem?”. Em seguida, Jefferson e a colega Letícia solicitam ao juiz que presidia o julgamento para que a ofensa fosse registrada em ata. “A promotora atingiu a defesa de forma direta. A gente está sendo acusado. [Ela] está nos colocando no mesmo lugar do banco dos réus”, alegou a advogada. “Ninguém vai fazer maracutaia na minha comarca” A briga não parou por aí. A promotora disse, em seguida, que os advogados estavam querendo tumultuar o julgamento. Nesse momento, Letícia contrapôs dizendo que quem havia começado a gritar e escandalizar a audiência havia sido a representante do MP.

“Ninguém vai fazer maracutaia aqui na minha frente não, doutora. Essa aqui é a minha comarca. Não admito que venham lá de Goiânia fazer malandragem aqui. Aqui tem ordem”, esbravejou Clarissa Cubis. Os advogados ouviram mais essa fala da promotora, pediram por respeito e disseram que estavam, apenas, exercendo o direito de defesa. “Não somos bandidos, não. Tenha respeito”, disse Letícia. 
A briga começou um pouco antes da gravação do vídeo. O espaço segue aberto para o Ministério Público se manifestar sobre assunto.